Alberto Magno

Alberto Magno foi um filósofo e teólogo nascido na cidade de Lauingen, Ducado da Baviera, por volta de 1193. Sua morte ocorreu em 15 de novembro de 1280, em Colônia.

Em 1223, Jordão da Saxônia procurou novos membros para a Ordem Dominicana. Por volta da Páscoa do mesmo ano, Alberto foi agraciado com o hábito por Jordão e encaminhado para Colônia para iniciar seu noviciado. Entre 1243 e 1244, João de Wildeshausen enviou-o a Paris, onde obteve o título de mestre em teologia em 1245. Nessa época, dedicou-se ao ensino sobre as “Sentenças” de Pedro Lombardo. 

Em 1248, sob a liderança de João de Wildeshausen, Tomás de Aquino e outros dominicanos acompanharam Alberto Magno até Colônia. Foi lá que Alberto estabeleceu o primeiro studium generale, ou faculdade de artes liberais, na Alemanha.

Em 1260, o Papa Alexandre IV designou-o como bispo de Ratisbona. No entanto, ele ocupou o cargo por menos de dois anos.

Obras

Alberto dedicou-se fervorosamente à preservação e disseminação das ideias filosóficas da antiguidade, especialmente a filosofia de Aristóteles. Acredita-se que a maior parte de seus escritos filosóficos tenha sido produzida entre 1250 e 1270. 

Seus escritos abrangem temas que vão desde filosofia e teologia até ciências naturais, destacando-se pelo uso do estilo parafrástico em contraste com os comentários lineares de Averróis

Alberto demonstrou profunda compreensão das ideias aristotélicas mesmo antes de sua condenação em 1210.

Dos seus escritos sobre ciências naturais destaca-se: Sobre os vegetais e as plantas, Sobre os minerais e Sobre os animais.

Dos seus escritos filosóficos: Metafísica, Comentários ao Liber de Causis, Ética, Física e Política de Aristóteles.

Dentre seus escritos teológicos: Comentário às Sentenças de Pedro Lombardo, Summa de Creaturis (Tratado sobre as criaturas), e De Unitate Intellectus (Sobre a unidade do intelecto).

Filosofia

A condenação de 1277 da Universidade de Paris à filosofia aristotélica foi um ponto crucial na discussão sobre a relação entre filosofia e teologia. 

Os averroístas latinos defendiam que essas eram disciplinas separadas, com objetos de conhecimento diferentes e que lidavam com tipos diferentes de verdades. Enquanto a teologia se baseava na revelação e profecia divinas, a filosofia se fundamentava na razão humana. 

As ordens mendicantes procuravam manter essas disciplinas separadas, temendo que a filosofia, sendo uma disciplina cética, interferisse injustificadamente na teologia, questionando conclusões em um domínio no qual ela não tinha autoridade. 

Por outro lado, Alberto Magno acreditava na importância do conhecimento e compreensão da filosofia dos gregos antigos, especialmente Aristóteles.

Ciência natural

Alberto tinha um grande interesse pelo mundo natural devido à sua crença de que o conhecimento estaria interconectado. Por sua dedicação às questões científicas, ele foi criticado por negligenciar a teologia e a filosofia. 

A abordagem de Alberto em relação às ciências naturais era empirista, acreditando que “somente a experiência dá certeza nessas questões”.

Metafísica

A metafísica de Alberto concentrou-se principalmente em uma teoria da causalidade que é baseada na atração em vez de uma emanação pura. Ele adaptou a noção neoplatônica de emanação da forma, porém argumentou que a causação ocorre por meio de atração. 

Esta escolha foi feita porque Alberto identificou o Uno (ou o Bem) como fonte de todas as coisas e acreditava que o Bem se difunde e chama outras coisas à semelhança de si mesmo. Essa compreensão difere da visão aristotélica do motor imóvel, pois implica que o Bem não serve apenas como um primeiro motor, mas também como um produtor primordial, ou seja, o Criador. Essa ideia não é encontrada na Metafísica de Aristóteles, mas é extraída do Liber de causis, que Alberto considerava de origem aristotélica.

Frases

“A ciência natural não consiste em ratificar o que os outros disseram, mas em buscar as causas dos fenômenos.”

“Existem muitos mundos ou existe apenas um único mundo? Essa é uma das perguntas mais nobres e elevadas no estudo da natureza.”

“Ao estudar a natureza, não devemos perguntar como Deus, o Criador, pode usar Suas criaturas para realizar milagres e, assim, mostrar Seu poder; devemos, em vez disso, perguntar o que a natureza, com suas causas imanentes, pode naturalmente realizar.”

“A natureza deve ser o fundamento e o modelo da ciência; assim, a arte trabalha de acordo com a natureza em tudo o que pode. Portanto, é necessário que o artista siga a natureza e opere de acordo com ela.”

“Quem acredita que Aristóteles era um deus, também deve acreditar que ele nunca errou. Mas se alguém acredita que Aristóteles era um homem, então, sem dúvida, ele estava sujeito a erros, assim como nós estamos.”

Referências

Scott Carson. Albert The Great. Encyclopedia of Philosophy. 

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