Justino Mártir

Justino Mártir nasceu em Flávia Nápolis, na Palestina, por volta do ano 100 d.C. Procedente de uma família de pagãos, Justino se converteu ao cristianismo por volta do ano 130, tendo sido martirizado em Roma no ano de 165.

Dentre suas obras estão: Primeira Apologia, destinada ao imperador romano Adriano; Segunda Apologia, destinada ao imperador Marco Aurélio e Diálogo com Trifão.

Conversão ao Cristianismo 

Durante sua jornada filosófica, Justino explorou as diversas correntes do pensamento de sua época, incluindo o estoicismo, o aristotelismo e o pitagorismo. No entanto, foi entre os discípulos de Platão e na doutrina platônica que ele finalmente descobriu a verdade.

Em certa ocasião de sua vida, Justino encontrou um ancião e juntos conversaram sobre Deus e a alma. O ancião compartilhou com ele a perspectiva cristã acerca da alma humana, deixando-o profundamente impressionado.

Nas doutrinas cristãs, Justino descobriu respostas para vários problemas filosóficos que não eram solucionados satisfatoriamente nem mesmo pelo platonismo.

Outro fator determinante para sua conversão foi o testemunho dos mártires. Ao observar a coragem e confiança dos cristãos mesmo diante da morte, Justino compreendeu que aquelas pessoas não eram más, como descrevia as acusações que eram frequentemente feitas contra elas.

Justino Mártir

O Logos

Caso a verdade tenha sido revelada exclusivamente aos seres humanos por intermédio de Cristo, é lógico concluir que aqueles que viveram antes de Cristo não poderiam ser culpados por desconhecê-la.

Para solucionar este problema, Justino se baseou no evangelho de João, onde é afirmado que Cristo é o Verbo (Logos, em grego). Ele também faz referência à doutrina estóica da “razão seminal” (Logos spermatikós), a qual sustenta que a razão (Logos) está, em germe, em todo homem. Nesse sentido, há uma revelação universal do Verbo divino ao longo da história, anterior à sua encarnação na figura de Cristo, pois todos os homens possuem Logos (razão). 

Todos os indivíduos, sejam judeus ou pagãos, que viveram em conformidade com o Logos, viveram em consonância com os princípios de Cristo. Com isso, é possível afirmar que existiam cristãos e anticristãos mesmo antes de Cristo vir ao mundo. O Logos representa Cristo, assim, Justino chega à seguinte conclusão: tudo o que foi dito de verdadeiro pelos antigos filósofos pertencem aos cristãos.

A alma humana

Segundo Justino, a alma não pode ser considerada eterna ou incorruptível em sua natureza, tal como foi expresso no Fédon de Platão. Apenas Deus é incorruptível e eterno, logo, todas as outras coisas são corruptíveis.

Deus

Para Justino, embora seja chamado de Pai, Criador e mestre, Deus não possui um nome.

O Deus anônimo, criador do mundo, fez-se conhecer através do Verbo encarnado (Cristo). Este Verbo é Deus, mas é subordinado ao Deus Pai, criador de todas as coisas. O Espírito Santo, que também é Deus, ocupa o “terceiro lugar” nesta hierarquia.

Referências

GILSON, Etienne. A filosofia na idade média. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

REALE, Giovanni; ANTISERI, Dário. História da Filosofia: Patrística e Escolástica. Vol. 2. São Paulo: Paulus, 2005.

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