Espeusipo

Espeusipo (408 a.C. — 339 a.C.) foi um filósofo grego, sobrinho de Platão e seu sucessor na Academia entre os anos de 347 a.C. a 339 a.C.

Vida e pensamento

Embora as informações sobre sua vida sejam escassas, sabe-se que Espeusipo nasceu em Atenas por volta de 408 a.C. e que era filho de Eurimêdon e de Potone, irmã de Platão.

Diógenes Laércio, atribuiu a Espeusipo a autoria de diversos tratados e diálogos, entre os quais: Arístipos de Cirene; Da riqueza; Do Prazer; Da Justiça; Da Filosofia; Da Amizade; Dos Deuses; Resposta a Cêfalos, e tantos outros. No entanto, nenhuma destas obras sobreviveram.

Espeusipo

Após a morte de Platão em 347 a.C., Espeusipo assumiu a direção da Academia, tendo permanecido neste posto durante 8 anos, ou seja, até sua morte. Xenócrates foi quem lhe sucedeu na direção da Academia.

De acordo com Tarán, é evidente a surpresa diante do fato de Espeusipo ter assumido a liderança na Academia, ao invés de Aristóteles. No entanto, Tarán ressalta que Espeusipo parece ter sido um filósofo altamente original e que não ficava atrás do Aristóteles de 348 a.C. Além disso, a saída de Xenócrates e de Aristóteles de Atenas não parece ter ligação com a nomeação de Espeusipo como sucessor de Platão[1]

É provável que Platão, antes de morrer, tenha pessoalmente escolhido Espeusipo como seu sucessor, uma vez que não existem evidências que indiquem que ele tenha sido escolhido pelos membros da Academia, como aconteceu com Xenócrates.

Espeusipo, retratado na Crônica de Nuremberg
Espeusipo, retratado na Crônica de Nuremberg.

Metafísica

Em sua Metafísica[2], tratando sobre as opiniões dos filósofos sobre o número e a natureza das substâncias existentes, Aristóteles relata que Espeusipo, partindo do Um, admitia princípios diferentes para cada tipo de substância. Desse modo, os números, as grandezas, a alma, etc., teriam um princípio específico. Nesse ponto, Espeusipo difere de Platão, pois este afirmava a existência apenas de três substâncias (Formas, entes matemáticos e os corpos sensíveis).

Espeusipo rejeitou a Teoria das formas de Platão e não acreditava em Números ideais nem em magnitudes ideais.

Epistemologia

Segundo Espeusipo, para se definir algo é necessário conhecer todas as coisas em suas diferenças e semelhanças específicas. Esta doutrina é conhecida como holismo: o conhecimento de cada coisa requer o conhecimento de todas as diferenciações que a tornam diferente de qualquer outra coisa.

Por exemplo, para se definir “homem” seria necessário saber sua posição em uma árvore conceitual que o localizaria em meio a todos os animais.

Ética

A ética de Espeusipo apresenta algumas semelhanças com a de Platão e Aristóteles. Ele defendia, por exemplo, que a felicidade é o bem supremo e a associava à sabedoria; além disso, considerava que a posse de riqueza, saúde e honra não são boas por si mesmas.

Espeusipo também compartilhou com Platão e Aristóteles a concepção do bem ou virtude como um meio termo entre dois males extremos.

Referências

Dancy, Russell, “Speusippus”, The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Fall 2021 Edition), Edward N. Zalta (ed.), URL = https://plato.stanford.edu/archives/fall2021/entries/speusippus/.

DIÓGENES LAÉRTIOS. Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres. 2. ed. Tradução de Mário G. Kury. Brasília: Editora UnB, 2008.

REALE, Giovanni; ANTISERI, Dário. História da Filosofia: Filosofia Pagã e Antiga. Vol. 1. São Paulo: Paulus, 2007.

TARÁN, Leonardo. Speusippus of Athens: A Critical Study with a Collection of the Related Texts and Commentary. (Philosophia Antiqua, 39.) Leiden: Brill, 1981.

Notas

  1. TARÁN, p. 8-9.
  2. METAFÍSICA, 1028b, 21 – 24.

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