Cleantes de Assos

Cleantes de Assos foi um filósofo grego, discípulo de Zenão de Cítio e um dos principais representantes da escola estóica. Ele também foi mestre de Crisipo de Solos.

Biografia

Cleantes, filho de Fanias, nasceu em Assos por volta de 330 a.C. Segundo Antístenes, ele teria sido um pugilista.

Cleantes partiu para Atenas com apenas 4 dracmas e lá conheceu o filósofo estóico Zenão de Cítio, tornando-se seu discípulo.

De acordo com Diógenes Laércio, devido à sua humilde condição financeira, Cleantes dedicava-se intensamente ao trabalho para sobreviver. Ele registrava as lições de Zenão em conchas e omoplatas de bois, pois não tinha dinheiro para comprar papel.

Durante o dia, ele se dedicava à Filosofia e aos debates argumentativos, e à noite trabalhava como tirador de água de poços para um hortelão. Essa atividade lhe rendeu o apelido de “Freantles”, que significa “tirador de água de poço” em grego.

Quando questionado sobre o motivo pelo qual se dedicava ao trabalho de tirar água, Cleantes respondeu: “Acaso o simples ato de tirar água é tudo o que faço? Não estou eu regando o jardim e realizando tudo isso por amor à filosofia?”

Cleantes de Assos
Busto atribuído a Cleantes de Assos, via Wikimedia Commons.

Em uma ocasião, Cleantes foi levado perante os juízes do Areópago para explicar a origem de sua subsistência. Como testemunhas, Cleantes apresentou o jardineiro para quem ele tirava água dos poços e uma vendedora de farinha para quem ele moía o trigo. Surpreendidos, os juízes decidiram conceder a Cleantes uma soma de dez minas, porém seu mestre Zenão pediu a ele que não aceitasse tal oferta.

Cleantes suportava com paciência as brincadeiras de seus colegas de estudo, que o chamavam de “asno” devido à sua lentidão. Quando alguém o repreendeu por sua timidez, ele respondeu: “Por isso cometo poucos erros”. Ele se considerava superior aos ricos, pois trabalhava arduamente enquanto eles apenas se divertiam.

Após desenvolver uma inflamação nas gengivas, Cleantes recebeu o conselho dos médicos para não se alimentar durante dois dias. Quando sua condição melhorou, os médicos autorizaram que ele retomasse a alimentação normalmente. No entanto, Cleantes optou por continuar em jejum e, infelizmente, veio a falecer alguns dias depois, por volta de 230 a.C.

Obras

Diógenes Laércio atribuiu a Cleantes a autoria de aproximadamente 50 obras, incluindo: Do Tempo; Sobre a Filosofia Natural de Zenão; Dos Deuses; Dos Gigantes; Do Poeta; Da excelência; O estadista; Hino a Zeus.

Nenhuma dessas obras chegou até nós em sua totalidade, o que dificulta uma compreensão clara das inovações filosóficas de Cleantes. No entanto, é provável que seus interesses tenham se concentrado na filosofia natural e na teologia.

Uma de suas obras notáveis é o Hino a Zeus, uma composição poética que expressava sua reverência pela ordem divina do universo. Nesse hino, Cleantes elogiou Zeus como a divindade suprema, enfatizando a importância de viver de acordo com a natureza e aceitar o próprio destino. O Hino a Zeus serviu como um lembrete para os estóicos cultivarem a virtude e manterem um senso de gratidão para com o cosmos.

Referências

DIÓGENES LAÉRTIOS. Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres. 2. ed. Tradução de Mário G. Kury. Brasília: Editora UnB, 2008.

LONG. A. A. Hellenistic Philosophy: Stoics, Epicureans, Sceptics, 2 ed. Berkeley: University of California Press, 1986.

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