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Escola Pitagórica

Origens e Fundadores

A Escola Pitagórica foi uma antiga comunidade de filósofos e matemáticos que se originou na Grécia Antiga entre os séculos VI e V a.C. Ela deve seu nome a Pitágoras, o fundador da escola.

Pitágoras nasceu por volta de 570 a.C. na ilha de Samos, mas é na cidade de Crotona, na Magna Grécia (hoje sul da Itália), que ele estabeleceu, juntamente com seus seguidores, sua escola que tinha objetivos religiosos e políticos, bem como filosóficos. A escola teve influência não apenas em Crotona, mas também em outras cidades gregas da Magna Grécia, como Tarento, Metaponto e em Atenas.

Além de Pitágoras, outros membros importantes da escola incluíam

Perseguições

Em 508 a.C., a escola pitagórica sofreu um ataque liderado por um ex membro da escola chamado Cílon de Crotona que havia se revoltado contra Pitágoras. O ataque que levou a morte de alguns dos seus principais membros, levou Pitágoras a retirar-se para a cidade de Metaponto.

A comunidade recuperou sua influência até que, por volta do século V, ocorreu uma perseguição mais violenta, resultando na dispersão dos sobreviventes por diversas regiões da Grécia até que se extinguiram no final do século IV.

Pitágoras

Desafios na compreensão do Pitagorismo

Compreender o pitagorismo apresenta certos desafios:

  1. Falta de literatura pitagórica pré-Platão: Não há registros escritos da filosofia pitagórica antes do tempo de Platão, o que torna difícil rastrear suas ideias originais.
  2. Regra de sigilo: Diz-se que os pitagóricos mantinham suas doutrinas em segredo, o que resultou em poucos escritos ou informações disponíveis sobre sua filosofia.
  3. Dificuldades na fonte cristã: As informações sobre Pitágoras e o pitagorismo na era cristã são abundantes, mas muitas delas são vistas como suspeitas, pois podem estar distorcidas por viés religioso ou lendas.
  4. Mistificação de Pitágoras: A figura de Pitágoras foi romantizada e mitificada ao longo do tempo, dificultando a separação entre a realidade histórica e as histórias lendárias associadas a ele.
  5. Divergências de doutrina: A dispersão dos seguidores de Pitágoras levou a divergências em suas doutrinas e crenças, com diferentes grupos interpretando suas ideias de maneiras distintas.
  6. Divisão entre akousmatikoi e mathematici: Algumas das divergências estavam relacionadas à ênfase dada à dimensão religiosa e supersticiosa versus a dimensão intelectual e científica do pitagorismo. Isso é ilustrado pela referência à divisão entre os akousmatikoi (ouvintes), que eram mais ligados à tradição religiosa, e os mathematici (matemáticos), que enfatizavam o aspecto científico e intelectual.

Filosofia da Escola Pitagórica

A filosofia da Escola Pitagórica pode ser resumida da seguinte forma:

1. A importância dos números

Os pitagóricos acreditavam que os números eram a essência de toda a realidade. Eles viam os números como entidades místicas e divinas que governavam o universo.

2. A harmonia do universo

A Escola Pitagórica postulava a existência de uma ordem e harmonia no cosmos. Eles acreditavam que as relações numéricas eram a base dessa harmonia, manifestando-se nas proporções musicais, planetárias e matemáticas.

A ideia da “música das esferas” era central para essa crença, onde as órbitas dos planetas e as distâncias entre eles estavam relacionadas a proporções musicais.

3. Transmigração das almas

Os pitagóricos acreditavam na transmigração das almas. Eles argumentavam que as almas eram imortais e que passavam por uma série de encarnações.

O corpo humano seria como uma prisão para a alma e sua maior conquista seria juntar-se aos deuses e, deste modo, encerrar seu ciclo de reencarnação.

Suas crenças sobre a transmigração das almas tinham implicações morais, uma vez que acreditavam que o comportamento ético era necessário para ascender espiritualmente.

4. Segredo e misticismo

A Escola Pitagórica era notória por sua aura de mistério. Os pitagóricos mantinham muitos de seus ensinamentos em segredo e exigiam um juramento de sigilo de seus membros.

Eles acreditavam que o estudo das ciências matemáticas e filosóficas estava ligado ao desenvolvimento espiritual e, por isso, era guardado com zelo.

Pitágoras emergindo do submundo, pintura de
Salvador Rosa

Contribuições Matemáticas

A Escola Pitagórica desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da matemática na Grécia Antiga.

O teorema de Pitágoras é uma das descobertas matemáticas mais famosas atribuídas a Escola Pitagórica. Estabelece que, em um triângulo retângulo, o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos. Este teorema é fundamental na geometria e trigonometria, e suas aplicações são extensas, desde cálculos de distâncias até a resolução de problemas em física.

A Escola Pitagórica via a matemática como uma disciplina filosófica e espiritual, acreditando que os números e as relações numéricas eram fundamentais para compreender a ordem do universo.

Vida Comunitária e Organização

A Escola Pitagórica era conhecida não apenas por suas ideias filosóficas e matemáticas, mas também por sua vida comunitária. A vida comunitária era destinado a promover a disciplina e a busca de conhecimento e sabedoria.

1. Estrutura da escola

A Escola Pitagórica era uma comunidade fechada e altamente organizada. A estrutura era hierárquica, com o líder no topo, seguido por discípulos mais avançados e, finalmente, novos iniciantes que passavam por uma série de estágios de aprendizado.

2. Estilo de vida dos pitagóricos

Os pitagóricos também adotaram um estilo de vida ascético, com regras rígidas relacionadas à dieta, vestimenta e conduta pessoal.

Eles praticavam o vegetarianismo e evitavam o consumo de feijão, alegando que esse alimento afetava negativamente a mente. A prática do silêncio também era importante na escola, e os discípulos eram incentivados a falar apenas quando necessário e a evitar discussões frívolas.

3. Regras e normas

A escola pitagórica era conhecida por suas regras rigorosas e normas éticas. Os discípulos eram instruídos a seguir um código de conduta que promovia a temperança e a moderação. Eles eram incentivados a manter segredo sobre muitos dos ensinamentos da escola, cooperando para o caráter misterioso da comunidade.

Manuscrito francês de 1512/1514, que mostra Pitágoras desviando o rosto das favas de feijão.

Declínio e Legado

A Escola Pitagórica, apesar de sua influência e importância, enfrentou um declínio gradual ao longo do tempo.

O declínio da Escola pode ser atribuído a várias razões, incluindo disputas internas, perseguições políticas e conflitos com outras escolas filosóficas. No final do século IV a.C., a escola perdeu sua influência e, eventualmente, deixou de existir como uma comunidade organizada.

Embora a escola em si tenha desaparecido, as ideias e conceitos pitagóricos continuaram a influenciar o pensamento filosófico, matemático e científico. Filósofos como Platão e Aristóteles foram influenciados pelas ideias pitagóricas e as incorporaram em seus próprios sistemas filosóficos.

Neopitagorismo

A influência do pensamento pitagórico foi transmitida em grande parte através de Platão, que adotou as principais doutrinas pitagóricas, como a imortalidade da alma.

O movimento neopitagórico, iniciado no século I a.C., combinou elementos do pensamento pitagórico original com os ensinamentos de Platão, dos Peripatéticos e dos Estóicos. Os neopitagóricos tinham interesses predominantemente religiosos e enfatizavam os aspectos místicos e supersticiosos da doutrina pitagórica, bem como a teologia astral e o misticismo dos números, em detrimento do pensamento filosófico.

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