Tales de Mileto

Tales de Mileto foi um filósofo grego do período pré-socrático, astrônomo, engenheiro, matemático e um dos sete sábios da Grécia antiga.

Ele é considerado o primeiro filósofo da história e o fundador da Escola de Mileto (ou Escola Jônica), à qual também pertenciam Anaximandro e Anaxímenes.

Biografia

Tales nasceu por volta do ano de 625 a.C. na cidade-estado grega de Mileto, na Jônia, situada hoje em dia na Turquia. Sua morte ocorreu em 547 a.C., aos 77 anos. Sua família possuía ascendência fenícia.

Ele participou ativamente na política de sua cidade, aconselhando os jônicos. Além disso, destacou-se como um excelente engenheiro ao realizar uma escavação de um profundo canal no rio Hális, fazendo com que as águas mudassem de direção e, assim, viabilizando a travessia do exército de Creso para a margem oposta.

Ao visitar o Egito, Tales teve a chance de aprofundar seus conhecimentos em matemática e geometria, incluindo o cálculo de distâncias e alturas com base na igualdade e semelhança de triângulos.

Obras

Algumas fontes antigas atribuem a Tales certas obras, como:

  • “Guia Náutico pelos Astros”;
  • “Sobre o Solstício”;
  • “Sobre o Equinócio”;

No entanto, estudiosos modernos questionam a autenticidade de tais escritos. Algumas evidências apontam para isso, como o fato de Diógenes Laércio ter afirmado que Tales nada escreveu, e ter atribuído o Guia Náutico pelos Astros a Foco de Samos. Aristóteles, pelas expressões cautelosas que usou ao comentar a filosofia de Tales, parece não ter tido contato direto com alguma obra de Tales.

Filosofia

Tales de Mileto desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da filosofia ocidental. Ele esteve inserido em um contexto histórico e cultural marcado pela passagem do pensamento mítico para uma abordagem mais racional e sistemática do mundo.

Sua filosofia tinha como objetivo explicar a origem e constituição da natureza (physis). Suas principais ideias podem ser resumidas da seguinte forma:

  • A água é arché (princípio de todas as coisas);
  • Todas as coisas possuem alma;

Água como arché

De acordo com a teoria filosófica de Tales de Mileto, a água é o princípio fundamental que deu origem a todas as coisas.

Ele chegou a essa conclusão após observar que a água desempenha um importante papel na conservação da vida humana e animal. Além disso, ela pode ser encontrada nas sementes, nas plantas e nos alimentos.

Todas as coisas possuem vida

Tales acreditava que todas as coisas possuíam alma, ou seja, vida. Esta doutrina ficou conhecida como hilozoísmo, termo derivado do grego: hyle (matéria) e zoe (vida).

Para fundamentar essa doutrina, ele utilizou o fato do ímã atrair o ferro por meio da força magnética. O movimento induzido pelo ímã seria evidência de que todas as coisas materiais têm vida.

Além disso, sua afirmação de que “tudo está cheio de deuses” pode estar relacionada com a doutrina de que tudo tem vida.

Aristóteles

“Tales está entre aqueles que consideraram a alma como algo móvel, defendendo também que a pedra magnética possui uma alma, pois movimenta o ferro.”

De anima, livro I, 2

Cosmologia

Tales acreditava que a terra flutuava sobre as águas, movendo-se como um navio. Os terremotos seriam causados pelos movimentos das águas.

Ele também teria sido o primeiro a determinar o curso do sol de solstício a solstício, além disso, estipulou o tamanho do sol, que corresponderia à 720ª parte do círculo solar.

Astronomia

Tales tinha um profundo interesse pelas observações astronômicas. Segundo uma anedota contada por Diógenes Laércio em Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres, o filósofo se distraiu observando os astros e acabou caindo num profundo poço e, ao gritar pedindo socorro, uma mulher lhe disse: “Como pretendes, Tales, tu, que não pode sequer ver o que está à tua frente, conhecer tudo acerca do céu?”

Previsão de um eclipse

Segundo Heródoto, Tales previu o eclipse solar que ocorreu em 28 de maio de 585 a.C. O espanto causado pela mudança repentina do dia para a noite pôs fim à batalha entre os medos e os lídios que ocorria naquele dia.

Por muito tempo, acreditou-se que Tales teria sido capaz de realizar tal previsão devido ao seu contato contato com os registos astronómicos dos babilónios. No entanto, alguns estudiosos modernos contestam totalmente a veracidade deste relato, apontando para as implicações cronológicas e historiográficas contidas na própria obra de Heródoto.[1]

Descoberta da Ursa Menor

Tales de Mileto mediu a constelação de Ursa Menor e sugeriu aos marinheiros de Mileto que se guiassem por ela. As constelações de Ursa Menor e Ursa Maior desempenharam um papel muito importante nas navegações da época.

Geometria

Tales é reconhecido como um dos primeiros matemáticos da história, tendo feito contribuições significativas nas áreas de geometria e trigonometria.

O teorema de Tales é um princípio geométrico que afirma que se duas retas são cortadas por uma transversal, os segmentos formados nas retas são proporcionais. Com este teorema, ele conseguiu medir a altura das pirâmides do Egito observando a sombra projetada pelo sol.

Referências

  • BORNHEIM, Gerd A. (Org.) Os filósofos pré-socráticos. São Paulo: Cultrix, 1998.
  • BURNET, John. A aurora da filosofia grega. Trad. de Vera Ribeiro. São Paulo: Contraponto, 2006.
  • KIRK, G.S., RAVEN, J.E. e SCHOFIELD, M. Os Filósofos Pré-Socráticos: história crítica e seleção de textos. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1983.
  • MARÍAS, Julián. História da Filosofia. Trad. Claudia Berliner. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
  • MOSSHAMMER, Alden A. Thales’ Eclipse. Transactions of the American Philological Association, v. 111, p. 145-155, 1981.

Notas

  1. Segundo Alden Mosshammer “Nenhum eclipse real cumpre os requisitos da narrativa de Heródoto”.

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