Querela dos universais

A querela dos universais (ou problema dos universais) é um problema filosófico que aborda a questão da existência e natureza dos universais, ou seja, conceitos ou ideias universais.

O problema dos universais já existia desde a Antiguidade, com os filósofos gregos, mas foi na Idade Média que ganhou maior destaque.

O que são universais?

Em linhas gerais, o universal é definido como “aquilo que se predica de muitos indivíduos”. Por exemplo, o universal “homem” pode ser aplicado a múltiplos indivíduos, como João, Pedro e José.

Como surgiu o problema?

O problema se divide em duas perguntas:

  • Os universais existem nas coisas, em um mundo transcendente ou apenas em nossas mentes?
  • Os universais (conceitos e ideias) representam de fato a realidade de forma confiável?

Historicamente, atribui-se a Porfírio (234 – 305) a introdução deste problema na Idade Média[1].

Realismo

O realismo, de modo geral, defende que os universais existem fora da mente humana, seja nas próprias coisas ou em um mundo inteligível.

Aristóteles acreditava que os universais eram gerados pelo processo abstrativo do intelecto, mas possuíam fundamentos nas coisas (in re).

Realismo Platônico

O realismo platônico, também chamado realismo exagerado, defende que os universais são entidades reais, independentes das coisas, que subsistem em um mundo separado. Em Platão, os universais são conhecidos como ‘Forma’ ou ‘Ideia’ (εἶδος, eidos).

Na Idade Média, os representantes do realismo exagerado são:

Realismo moderado

O realismo moderado, defendido na Idade Média por Tomás de Aquino, defende que os universais existem:

  • Antes das coisas (ante rem) enquanto Ideias na mente de Deus;
  • Nas coisas (in re);
  • Derivado das coisas (post rem), a mente humana, enquanto conceitos;

Nominalismo

O nominalismo defende que os universais não passam de nomes ou palavras vazias (flatus vocis), sem qualquer ligação com as coisas. Não existe nenhuma correspondência entre nossos conceitos e as coisas do mundo. Na Idade Média, os representantes do são:

Conceitualismo

O conceitualismo, teoria elaborada por Pedro Abelardo, surge como uma alternativa entre o realismo exagerado e o nominalismo.

Esta posição defende que os universais existem na mente humana, como conceitos. Estes conceitos são formados a partir da observação de determinadas características compartilhadas por indivíduos de um grupo.

Realismo exagerado (platônico)Universais são entidades reais e objetivas que existem independentemente da mente.
Realismo moderado (Tomás de Aquino)Universais existem na mente de Deus, nas coisas e na mente humana.
NominalismoUniversais não existem, trata-se apenas nomes ou palavras que empregamos para agrupar coisas semelhantes.
ConceitualismoUniversais existem na mente enquanto conceitos derivados da abstração de características semelhantes de indivíduos de uma determinada espécie.

Referências

REALE, Giovanni; ANTISERI, Dário. História da Filosofia: Patrística e Escolástica. Vol. 2. São Paulo: Paulus, 2005.

SOUZA, LAIZA RODRIGUES. O problema dos universais medievos: o nominalismo de
ockham e a passagem da ontologia à lógica
. 2015. 131 f. Dissertação (Mestrado em Filosofia) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, PB.

Notas

  1. Em Isagoge, obra em que comenta as Categorias de Aristóteles, Porfírio diz: “No que tange aos gêneros e às espécies, acerca da questão de saber se são realidade subsistentes em si mesma ou se consistem apenas em simples conceitos mentais ou, admitindo que sejam realidades subsistentes, se são corpóreas ou incorpóreas, e neste caso, se são separadas ou se existem nas coisas sensíveis”.

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