Emmanuel Levinas: Ética e Responsabilidade

Emmanuel Levinas (1905-1995) foi um filósofo francês nascido na Lituânia, considerado um dos pensadores mais influentes do século XX e reconhecido por suas contribuições à fenomenologia. Sua obra, marcada por uma profunda originalidade e rigor intelectual, explorou temas como a ética, a responsabilidade, a alteridade e a relação entre o humano e o divino.

Início e Influências

Levinas nasceu em uma família judaica em Kaunas, Lituânia. Em 1923, mudou-se para a França para estudar filosofia na Universidade de Estrasburgo, onde foi aluno de Edmund Husserl, fundador da fenomenologia, e de Martin Heidegger. A influência de Husserl na filosofia de Levinas é evidente, mas ele também dialogou com outros importantes pensadores, como Martin Heidegger, Franz Rosenzweig e Søren Kierkegaard.

A experiência de Levinas durante a Segunda Guerra Mundial, incluindo a perda de grande parte de sua família no Holocausto e sua própria prisão em um campo de prisioneiros de guerra, influenciou profundamente sua filosofia.

Fenomenologia e Alteridade

Levinas começou sua carreira influenciado pela fenomenologia de Husserl e Heidegger. No entanto, ele se distanciou da fenomenologia tradicional ao criticar o foco excessivo no ser e na ontologia. Para Levinas, a filosofia ocidental negligenciava a importância da ética e da responsabilidade para com o outro. Para ele, a experiência mais fundamental não é a existência em si, mas o encontro com o outro.

A Ética como Filosofia Primeira

Um dos conceitos centrais na filosofia de Levinas é a ideia de que a ética precede a ontologia, ou seja, a questão do que significa ser bom e agir de forma justa é fundamental para entender a própria existência humana. Em sua obra principal, “Totalidade e Infinito” (1961), Levinas postula que a relação ética com o outro é a base de todas as outras relações. Ele sugere que o rosto do outro nos convoca a uma responsabilidade infinita e incondicional. Esse rosto é um apelo que nos força a sair de nossa própria autossuficiência e a reconhecer a vulnerabilidade e a singularidade do outro.

Para Levinas, a responsabilidade pelo outro é inerente à nossa condição humana, e essa responsabilidade se manifesta na relação com o rosto do outro, que nos chama à ética e à ação.

O Rosto e a Alteridade

Para Levinas, o rosto do outro é a expressão mais pura da alteridade. Não se trata apenas da aparência física, mas da presença ética que demanda uma resposta. O rosto interrompe nossa auto-referencialidade e nos coloca em uma posição de responsabilidade. Essa responsabilidade não é algo que escolhemos; é imposta pela simples presença do outro. Levinas descreve essa interação como uma assimetria, onde a prioridade é sempre dada ao outro, e não ao eu.

Conceitos-chave

Alguns dos conceitos-chave da filosofia de Levinas incluem:

  • Infinito: O outro, com seu rosto e sua demanda ética, representa o infinito para Levinas. Ele transcende a totalidade e nos convida a sair de nós mesmos e abrir-nos para a responsabilidade.
  • Responsabilidade: A responsabilidade pelo outro é a base da ética para Levinas. É uma responsabilidade que nos precede e nos chama à ação, mesmo que não a escolhamos.
  • Alteridade: O outro, em sua alteridade radical, é fundamental para a nossa própria identidade. É no encontro com o outro que nos tornamos quem somos.
  • Ética: A ética, para Levinas, não se baseia em regras ou princípios universais, mas sim na relação com o rosto do outro. É uma ética da responsabilidade e da alteridade.

Obras Importantes

Entre as obras mais importantes de Levinas, podemos destacar:

  • Totalidade e Infinito (1961): Obra na qual ele explora a relação entre ética e metafísica, defendendo a primazia da ética sobre o ser.
  • De outro modo que ser ou para lá da essência (1974): Uma obra complexa que aprofunda a filosofia da alteridade e da responsabilidade de Levinas.
  • Ética e infinito (1986): Uma coletânea de ensaios sobre ética, responsabilidade e religião.

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