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O que é o belo na filosofia?

A Estética e seu objeto de estudo

Encontramos, no estudo da Estética, uma dificuldade em definir o que é a Arte, e o que é o belo. Diante desses problemas, surgiram diversas teorias para explicar o fenômeno estético, de linhas racionalistas, empiristas, fenomenológicas, etc.

O estudo da Estética deve iniciar-se buscando a definição do seu objeto próprio. Uma das concepções mais difundidas afirma que a estética é uma ciência que estuda a arte e suas diversas manifestações.

Desse ponto de vista, os teóricos explicam que a Estética é ciência sobre as leis gerais da arte. Essa concepção identifica a Estética com a Teoria da Arte, reduzindo os fenômenos estéticos ao âmbito artístico.

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O homem e a necessidade da arte

O homem não se satisfaz apenas produzindo aquilo que lhe é útil, ele busca produzir, também, algo que lhe agrade sensitivamente, isto é, busca produzir algo belo.

Mas o que é o belo, afinal? É possível determinar em conceitos o que seja? Qual sua relação com a arte? Veremos a seguir algumas concepções de artes na filosofia.

A arte para Schopenhauer

A arte além de poder possuir uma natureza Bela, exerce também, segundo Schopenhauer, uma função vital para o homem. Para ele, a vida pode ser tomada em dois sentidos: como vontade e como representação. Desta distinção, o filósofo argumenta que a vida não possui um sentido intrínseco.

Na primeira parte de sua obra chamada O Mundo como Vontade e Representação, Schopenhauer coloca o mundo como objeto na esfera do princípio da razão que atua nas faculdades cognitivo-representativas do intelecto. Estas, por sua vez, “ajusta” o mundo de um modo próprio para ser conhecido, entretanto, como representação.

Além da multiplicidade de fenômenos, que não passa de uma ilusão, há uma unidade fundamental, essência e causa de toda aparência, que é o mundo da coisa-em-si, entendida por Schopenhauer como a vontade, que é uma força cega que age no âmago do ser e não se submete às formas da razão.

A vontade, então, faz com que a razão aja em seu benefício elaborando aparências ilusórias. Uma das formas de se libertar desse círculo vicioso de aparências enganadoras e ilusórias se dá por meio da Arte, ou melhor, da contemplação artística. Segundo Schopenhauer, a arte é:

a contemplação das coisas independente do princípio da razão; opõe-se, assim, ao modo do conhecimento acima definido, que conduz à experiência e à ciência (SCHOPENHAUER, 2005, Livro III, & 36).

A arte para Mikel Dufrenne

A fenomenologia, cujo objetivo é voltar às coisas mesmas, sem tomar partido de nenhuma teoria, pode contribuir para a discussão sobre a produção artística, para o fenômeno da percepção estética etc. Nesta área se destacam Merleau-Ponty e Mikel Dufrenne.

Embora Merleau-Ponty não tenha elaborado uma teoria estética propriamente dita, seus trabalhos sobre a percepção envolvem bastante elementos estéticos, uma vez que a arte e a experiência estética são fenômenos da percepção sensível, na qual o sujeito participa levando em conta sua sensibilidade, seus afetos, seu corpo, imaginação, etc.

O objeto estético, segundo Dufrenne, relaciona-se com a subjetividade de dois modos:

  1. primeiramente com a subjetividade do artista que cria a obra de arte;
  2. com a subjetividade do apreciador que, ao percebê-lo sensivelmente, consagra-o como um objeto estético;

De fato, é o espectador que, pela percepção, torna um objeto em um objeto estético, seja ele produzido com ou sem um fim estético, ou mesmo um simples objeto natural.

Portanto, o objeto estético é relacionado com a experiência do percebedor, e esta relação é sempre mediada social e historicamente. O belo, de acordo com Dufrenne (p. 45), não é uma ideia ou um modelo, mas sim uma qualidade presente em objetos singulares que nos são dados à percepção.

É imanência de um sentido sensível, sem o que o objeto seria insignificante; o belo, não se dirige à inteligência, como conceito, nem à vontade, mas primeiramente o belo solicita a sensibilidade para arrebatá-la.

Teorias contemporâneas sobre o belo

Certas teorias contemporâneas ligadas à psicologia dirão que o Belo nada mais é que uma resposta narcisista ao que apreciamos em nós, ou seja, quando gostamos de algo, tendemos a perceber isso como Belo. No entanto, tal teoria parece simplista.

A obra de arte pode, dentre outras coisas, desagradar o sujeito que faz a apreciação, causando-lhes certa repugnância, e mesmo assim não deixa de ser obra de arte.

O Belo “é uma qualidade que atribuímos aos objetos para exprimir um certo estado da nossa subjetividade” (ARANHA, 1993, p. 342).

Sendo assim, a noção de Belo não é passível de uma simples conceituação, pelo contrário, é algo compreensível mediante a vivência da contemplação da própria obra de arte. Por essa razão, toda tentativa de determinar o Belo conceitualmente será algo impreciso e duvidoso.

Referências

ARANHA, M.; MARTINS, M. Filosofando: introdução à filosofia. 2. ed. São Paulo: Moderna, 1993.

CHAUI, M. Primeira filosofia: lições introdutórias. São Paulo: Brasiliense, 1984.

DUFRENNE, M. Estética e Filosofia (3ª Ed). São Paulo: Perspectiva, 2008

MERLEAU-PONTY, Maurice. Conversas – 1948. São Paulo: Martins Fontes, 2004

REIS, Alice Casanova. A experiência estética sob um olhar fenomenológico. Arquivos Brasileiros de Psicologia; Rio de Janeiro, 63 (1): 1-110, 2011.

SCHOPENHAUER, A. O Mundo Como Vontade e Como Representação. Tradução de Jair Lopes Barbosa. São Paulo: editora UNESP, 2005.

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